CRP19 discute "Questões de Gênero" no segundo dia de conferências

09/03/2016 - 12H22






          “Questões de gênero, sexualidade e modos de vida. Intercessões  com a Psicologia” foi o assunto em debate nessa terça-feira, 8 de março, no Conselho Regional de Psicologia, durante o Pré- Congresso, evento que antecede os Congressos Regional e Nacional de Psicologia.

         A psicóloga convidada, Marcela de Carvalho Silva,  coordenadora do Grupo de Trabalho de Gênero e Diversidade Sexual,  do CRP19,  apresentou um retrospecto do trabalho realizado em 2015,  os desafios  e as metas do GT para 2016.

          A coordenadora do GT de Relações Interétnicas do CRP19, Eleonora Vaccarezza Santos de Freitas, psicóloga e doutoranda pela UFBA,  falou sobre a trajetória e a luta da mulher negra. Por vezes fez referência ao 8 de março,  dia Internacional da Mulher, como uma data  representativa na luta  feminista. Distante da vertente puramente sexista de diferenciação, Eleonora focou na manutenção de valores nos quais  mulher tem se esforçado para assumir espaços, especialmente  a mulher negra, com sua dupla batalha: o de ser mulher e de ser negra. Abordou ainda questões históricas, experiências negativas e conceitos trabalhados  nas pesquisas acadêmicas quanto   diferenciação entre preconceito, discriminação, esteriótipo e racismo,  numa relação entre a teoria e  prática.

          A estudante de Psicologia Sofia Favero Ricardo,   integrante da AMOSERTRANS (Associação e Movimento Sergipano de Travestis e Transexuais) falou sobre  as estruturas que são dadas às identidades trans, levantou questões referentes ao momento atual da Psicologia, como  uma ciência focada em um conceito de subjetividade e a necessidade de lançar  um outro olhar sobre o gênero. “Esse processo é fundamental para que a gente entenda a mutabilidade das nossas construções sociais e crie, urgentemente, novas formas de ser humano que não sejam tão angustiantes. Recusar ser homem e ser mulher, no caso das travestis e transexuais, é perder a própria condição de sujeito”, disse.

          Sofia Favero ainda fez algumas provocações acerca do tema. “Essa margem, que começa a ser tensionada com debates assim, abriga aqueles que deixaram de ser vistos como humanos. Porque o gênero não é um sistema privado. Ele está em sabonetes, comidas, não se sai de um hospital sem ter um gênero no prontuário. O que ocorre com aqueles que desobedecem essa imposição? Com os que não se conformam com o que é dado? Qual o grau de inteligibilidade esses sujeitos terão? A psicologia, no meio dessa disputa, se localiza como uma aliada ou como uma antagonista? Esse olhar social tem sido fundamental para mostrar que o preconceito tem uma história, que o padrão tem uma história. Enquanto profissionais, precisamos entender que toda norma tem sido feita para parecer natural, mas que na verdade foi naturalizada. Não devermos reproduzir uma psicologia paternalista, que crê em sujeitos que sofrem e que, por isso, devem ser atendidos por nós. Torna-se uma aberração política quando um direito vira um dever. Devemos, pelo contrário, compreender as forças presumidas na sociedade que expelem determinados corpos do seu campo de reconhecimento de humanidade e agir em cima disto”, finalizou.