Palestras e debates marcam segundo dia de seminário

08/11/2015 - 12H38

O segundo dia do Seminário de Psicologia e Relações Interétnicas, realizado pelo Conselho regional de Psicologia de Sergipe (CRP19), através do GT Psicologia e Relações Interétnicas  da Comissão de Direitos Humanos, foi marcado por diversas discussões sobre fatores que circundam o universo dos negros na sociedade moderna.

Assuntos ligados à história, saúde, estética e religião foram debatidos.
Os professores Roberto dos Santos Lacerda e Ionara Magalhães falaram sobre o impacto do racismo na saúde do individuo, além da visão do branco para com o público negro. “A limitação no acesso à saúde por determinados grupos pode, sim, ser caracterizado como racismo”, contou Roberto Lacerda.

Já Ionara  Magalhães explicou sobre a necessidade de as pessoas entenderem a formação histórica do caráter do branco e, dessa forma, entender o pensamento de cada um na sociedade “É preciso pensar sobre o que se passa na cabeça do branco. As pessoas falam que o racismo tem que acabar e, sim, ele deve ser extinto. Mas como fazer isso sem a modificação da educação de base?”, pontuou.

Para estudante Tainara Ferreira o posicionamento dos palestrantes mostra   que o tema deve ser difundido nas escolas, mas, também, reforçado em cada lar. “Reflexões como as de hoje são imprescindíveis, no entanto elas não podem ficar somente na fala. É preciso sair do discurso e alcançar as escolas e casas. A sensibilização é importante, mas a ação poderá tornar tudo mais eficiente”, disse.

Na programação desta sexta-feira, 6, o Doutor em Antropologia Hippolyte Brice ensinou sobre as questões religiosas inerentes aos negros. Para ele, a crença está diretamente ligada à origem dos afrodescendentes e, por isso, deve ser mantida em nossa sociedade. “Temos que esquecer o superficial, o óbvio. Somos diferentes, mas fazemos e formamos a sociedade brasileira. As religiões de matizes africanas estão em nossa história e devem ser difundidas”.

Oficina de turbantes
No final da tarde, professora Neli Gomes Rocha organizou um mini-curso de estética negra. Em sua palestra, ela mostrou ornamentos e acessórios de povos africanos que, segundo ela, podem ser inseridos no visual de cada afrodescendente. “Olhar para o turbante e se apropriar dele é lembrar de nossos ancestrais. É aceitar nossas origens e viver de forma plena”.