Psicologia do Trabalho e do Esporte em debate

06/08/2019 -11H54

              O Conselho Regional de Psicologia da 19ª Região (CRP19), por meio do Grupo de Trabalho Psicologia Organizacional e do Trabalho (GT-POT), realizou na sexta-feira, 03, na Universidade Tiradentes, em Aracaju(SE), o Seminário “As interfaces de atuação entre Psicologia do Trabalho e do Esporte”, uma parceria entre o CRP19 e o Conselho Regional do Rio de Janeiro (CRP05), com o apoio do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e Associação Brasileira de Psicologia do Esporte.

               Na mesa de abertura, o presidente do CRP19, Claudson Rodrigues deu as boas vindas aos participantes e enalteceu a importância do debate. “É uma oportunidade de lançar um olhar sobre como está acontecendo a Psicologia do Esporte e Organizacional em Sergipe e em outro Estado buscando um ponto de convergência dessa contextualização”.

               A Doutora em Educação, Angélica Piovesan, coordenadora do Curso de Psicologia da UNIT, chamou a atenção para o espaço de debate para além da  sala de aula. “Por serem áreas distintas, a Psicologia Organizacional e do Esporte parecem distantes. Em momentos como esse o aluno tem a oportunidade de descobrir o ponto de interseção quando focar na qualidade de vida da pessoa e o seu trabalho”, disse.  

               A primeira mesa colocou em pauta “Psicologia e esporte: a prática profissional diante das realidades brasileiras”.  O representante do Conselho Regional do Rio de Janeiro (CRP05), Rodrigo Acioli Moura, apresentou algumas resoluções do Conselho Federal de Psicologia (CFP), falou das responsabilidades da(o) psicóloga(o) e contextualizou no panorama da realidade econômica, social política, cultural e ambiental do Brasil. Na transversalidade desses pontos, Acioli, explicou que discutir a Psicologia do Esporte num viés da Organizacional demonstra como o campo é vasto, com muitos temas. “A psicologia não é mais aquele trabalho tradicional, feita para os ditos loucos ou psicologia clínica. Hoje abrange o esporte, o trabalho, a saúde, a justiça e a escola em uma atuação ampla que atinge não só quem está em busca de saúde”. 

               O psicólogo com especialização em neuropsicoterapia e ex-presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, na gestão 2015-2017, falou ainda sobre a cobrança por resultados de um atleta de alto rendimento e como isso impacta na vida desse trabalhador de longa data. “São cobranças pessoais, do treinador, do patrocinador. Muitos ignoram boas conquistas de terceiro ou quarto lugar. Por conta da pressão para alcançar o topo do podium alguns acabam adoecendo. É um trabalho pouco valorizado que transforma o atleta em personagem de um grande espetáculo e que não é protegido por lei. E tem outro detalhe: em um país onde o futebol é o esporte da nação, outras modalidades são esquecidas”.

               Ainda sobre esse tema, o Professor Mestre em Educação, Wilson Bispo (CRP/SE), falou sobre as áreas de atuação do Psicólogo do Esporte. “Em termos de futebol de alto rendimento percebe-se que é um grande diferencial. Uma equipe com preparação psicológica, geralmente, tem uma melhor condição de alcançar o máximo desempenho, sem nenhuma interferência do fator emocional. Mas ainda há pouco investimento em realidades locais. Muitos atletas buscam auxílio de um profissional da Psicologia para superação de ansiedade, estresse e da síndrome Burnout por conta própria”, revelou.

               O painel “Como eu faço” trouxe o Prof. Ms Cleberson Franclin Tavares Costa, que fez um relato sobre as estratégias de enfrentamento ao estresse, autoconceito de profissão, emoções e desempenho esportivo da equipe Nadart de Natação, onde trabalha como psicólogo. A exposição contou ainda com a graduada em Psicologia Ana Carolina Santos Bezerra, analista de desenvolvimento de pessoas que apresentou a experiência do trabalho na Rede Primavera Saúde, espaço que atua com foco em desenvolvimento e endomarketing.

               A Profa. Dra. Lidiane dos Anjos Andrade, Conselheira Secretária do CRP19, coordenadora do GT-POT do CRP19 e a especialista em gestão de pessoas, psicóloga Elizabeth Lacerda, representante do Conselho Federal de Psicologia, apresentaram o tema “Psicologia Organizacional e do Trabalho: um olhar para saúde do trabalhador”.   

               “Existem técnicas, cientificamente comprovadas, que mostram fatores que afetam o comportamento do indivíduo dentro das organizações. É preciso levar em conta o bem-estar do funcionário. Sabemos que pessoas que estão bem física e mentalmente bem produzem mais e melhor. E as empresas precisam desse resultado.  Mas não podemos estar absolutamente focado só no resultado,  é preciso levar em conta o fator humano. Quando se consegue conciliar objetivos individuais e organizacionais existe uma probabilidade maior de se ter um resultado satisfatório para empresa e para o funcionário”, disse a Lacerda que também é consultora organizacional.

               No encerramento do seminário, o conselheiro do CRP05, Rodrigo Acioli Moura e a conselheira do CRP19, Lidiane dos Anjos trataram da “Interseção entre Psicologia do Esporte e Psicologia Organizacional e do Trabalho”.

               “Trazer um evento envolvendo o Sistema Conselhos, apoiado pelo CFP e com profissionais de alto gabarito nas temáticas tratadas, tornou o debate rico em experiências práticas que podem ser incorporadas à nossa realidade, seja na formação ou no mercado de trabalho. Já recebemos convite de outros estados para levarmos o mesmo debate e ampliarmos a discussão.  Feliz pela idealização do evento e por tê-lo colocado em prática aqui em Sergipe. Precisamos trazer para o Nordeste debates inovadores, saindo do circuito sul-sudeste”, finalizou a Conselheira Lidiane dos Anjos.