CRP19 promove seminário de Psicologia e Relações Interétnicas

O Conselho Regional de Psicologia de Sergipe (CRP19) promove o 1º Seminário de Psicologia e Relações Interétnicas do estado. O evento, realizado na Universidade Federal de Sergipe (UFS,) tem como objetivo difundir as principais problemáticas relacionados aos assuntos ligados ao preconceito e igualdade de gênero. Visando, sobretudo, orientar os profissionais da psicologia a como atuarem em questões correlacionados e, também, pontuar soluções. O seminário segue até o próximo sábado, 07.

Na primeira noite de seminário houve palestras, cursos e debates. Tudo voltado às questões sociais. Fatores que, segundo o presidente do CRP19, Adriano Ferreira Bastos, são de extrema importância para aceitação de todos indivíduos da sociedade. “Debates como os de hoje são necessários para a ascensão das pessoas que, ainda, não estão totalmente inseridas em algumas camadas da sociedade. E o CRP19 tem como lema maior o estudo e auxílio dessas pessoas, como também a instrução de nossos profissionais para, assim, reduzirmos números negativos – de casos de preconceito e discriminação – que insistem em se manter em nosso meio. Mas, para isso, é preciso criar mais políticas sociais”, pontua.

Seguindo o mesmo pensamento do presidente do CRP19, o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho, Fernando Antônio Nascimento da Silva, acrescenta que seminários como este são imprescindíveis para a diminuição da discriminação. ”A academia é o ambiente exato para esse tipo de trabalho. Aqui são formados novos profissionais, novos colegas, novas mentes. Precisamos unir a teoria com à prática e, assim, formarmos novos pensadores e possibilidades. O que vemos aqui, neste seminário, é uma verdadeira contribuição para o avanço social”.

Por propagar assuntos ligados às questões étnicas, o seminário foi presidido pela Mestre Eleonora Vaccarezza Santos de Freitas, que coordena o Grupo de Trabalho Psicologia e Relações Interétnicas. “Trazer o recorte racial para dentro de suas pautas como um de seus compromissos com a categoria profissional é uma nova concepção da atual gestão do Conselho Regional de Psicologia. Estimular e fortalecer a reflexão crítica e a pesquisa acerca das desigualdades existentes entre diversos grupos étnicos raciais (negros, brancos, índios e ciganos), mostra-se como uma importante ferramenta para a promoção da igualdade étnico racial”, explica.

As palestras da primeira noite foram dirigidas pelos professores doutores, Marcus Eugênio Oliveira Lima, que desenvolve projetos com ênfase em Processos Grupais, Normas Sociais Racismo e Infra-Humanização, da Universidade Federal de Sergipe e pelo coordenador do Laboratório de Estudos dos Processos Psicológicos e Sociais, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Marcos Emanoel Pereira.

Nas duas discussões, os palestrantes afirmaram que problemas envolvendo etnias são, principalmente, motivadas pelo olhar limitado do ser humano. “Políticas de ação afirmativas precisam ser criadas. E isso, apesar de pouco difundido, é bem simples: o indivíduo precisa ser valorizado e inserido em qualquer contexto da sociedade. Funciona como uma discriminação positiva, pois criam condições de igualdade”, revela o doutor Marcus Eugênio.

Já o doutor Marcos Emanoel, defende o conhecimento como mecanismo de resolução dos conflitos. “A água do mar, vista de longe, é azul, mas quando nos aproximamos e pegamos um pouco nas mãos, percebemos que ela é translucida. Assim somos nós. O estereótipo não informa muito. Não diz quase nada. O conhecimento aprofundado, sim. Se cada um se dispor a conhecer o outro de perto, sem olhar para condição social, etnia e gênero, todas essas diferenças são superadas. Não é simples, mas, pode ser possível”, ensina.