ELEIÇÕES E LAICIDADE

Carta dos Conselhos Regionais de Psicologia à população brasileira - Psicologia, laicidade e discurso religioso nas eleições Neste momento de proximidade das eleições no Brasil, a Psicologia não pode se manter neutra em função de seu compromisso com a democracia em sua plenitude. Os Conselhos Regionais de Psicologia vem a público reafirmar o seu posicionamento frente à consolidação do Estado Laico e manifestar sua preocupação acerca do uso indiscriminado do discurso religioso na política. A liberdade, inclusive a religiosa, vem sendo cerceada por manifestações fundadas na segregação e na polarização dos mais diversos grupos. A diversidade de crenças, saberes, posicionamentos sociais e existenciais precisa ser assegurada. A agenda de Direitos Humanos e, consequentemente, os direitos dos mais diversos segmentos da sociedade brasileira, tais como direitos sexuais e reprodutivos, das diversas configurações de família, da infância e juventude, dos usuários de álcool e outras drogas, dos povos tradicionais, vem sendo reiteradamente prejudicados pela imposição de propostas políticas pautadas em argumentos religiosos fundamentalistas. A Psicologia reconhece a diversidade das subjetividades e da autodeterminação dos grupos sociais na expressão de suas livres consciências, moralidades e práticas. Entende também a importância da religião, da religiosidade e da espiritualidade na constituição de subjetividades, particularmente num país com as especificidades do Brasil. A riqueza da democracia reside na preservação da diversidade manifesta nos diferentes modos de ser e de viver, que precisam ser preservados em sua pluralidade de acordo com o marco constitucional. A autonomia de indivíduos e grupos sociais não pode ser violada devido à imposição de grupos fundamentalistas. Para a manutenção democrática do debate eleitoral, acreditamos que candidatos e partidos devem manifestar seus projetos, sem apelar para ideologias que promovam a violência e a cristalização de valores fundamentalistas. A psicologia, comprometida com seus princípios éticos, defende veementemente a liberdade do voto e repudia qualquer forma de cerceamento. Desta forma, nós, psicólogas e psicólogos, reafirmamos nossa corresponsabilidade na edificação de uma sociedade democrática. Conselho Regional de Psicologia da 1ª Região - Distrito Federal Conselho Regional de Psicologia da 2ª Região - Pernambuco Conselho Regional de Psicologia da 3ª Região - Bahia Conselho Regional de Psicologia da 4ª Região - Minas Gerais Conselho Regional de Psicologia da 5ª Região - Rio de Janeiro Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região - São Paulo Conselho Regional de Psicologia da 7ª Região - Rio Grande do Sul Conselho Regional de Psicologia da 8ª Região - Paraná Conselho Regional de Psicologia da 10ª Região - Pará e Amapá Conselho Regional de Psicologia da 12ª Região - Santa Catarina Conselho Regional de Psicologia da 13ª Região - Paraíba Conselho Regional de Psicologia da 14ª Região - Mato Grosso do Sul Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região - Espírito Santo Conselho Regional de Psicologia da 17ª Região - Rio Grande do Norte Conselho Regional de Psicologia da 18ª Região - Mato Grosso Conselho Regional de Psicologia da 19ª Região - Sergipe Conselho Regional de Psicologia da 20ª Região - Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia Conselho Regional de Psicologia da 21ª Região - Piauí