GT Psicologia e Relações Interétnicas do CRP19 promove a primeira Roda de Conversa

Nesta quarta-feira, 19 de agosto,  o Conselho Regional Psicologia - CRP19, através da Comissão de Direitos Humanos (CDH), promoveu mais uma edição do projeto Roda Conversa. Foi o primeiro encontro do recém criado GT Psicologia e Relações Interétnicas que colocou  em pauta "A Psicologia e as Relações Interétnicas no Brasil".

Para Fernando Antônio, Conselheiro presidente da Comissão de Direitos Humanos do CRP19,  não  se pode pensar a questão da cidadania  no Brasil sem a discussão da etnia, da raça. “A psicologia não pode ficar fora dessa discussão.  O profissional psicólogo em Sergipe,  precisa ter uma visão mais especializada sobre o assunto para que possa fazer uma intervenção mais técnica, principalmente no tocante às  políticas públicas”, explicou.

Duas pesquisadoras no assunto foram convidadas para o debate. Patrícia da Silva é  Professora Doutora da Universidade Federal de Sergipe, Pós doutoranda em Psicologia Social pela UFS e trabalha com projetos em comunidades Quilombolas.  Ela apresentou dados do censo, fez uma relação histórica sobre processo de segregação e favorecimento entre raças. “É um tema atual que  provoca exclusão social, compromete o desenvolvimento e a auto estima de um modo geral para  os que são acometidos pelo preconceito e racismo. O interessante é que a maioria das pessoas, nega ser preconceituosa, mas  muitas vezes age de forma  preconceituosa e não identifica tal comportamento. Trazer essa discussão para o profissional da Psicologia vai permitir uma atuação com maior conhecimento”, disse a pesquisadora.

Mestre em Gestão de Projetos Sociais, membro da Sociedade Omalaye e co-autora do projeto Ôxe, Sônia Oliveira,  lembrou  Quilombo dos Palmares como uma das primeiras iniciativas de enfrentamento e de como a sociedade ainda faz de conta que o racismo não existe. “Nós precisamos retirar esse assunto do armário. O racismo atravessou séculos,  não regrediu, está em todos os lugares. Ainda segundo ela, essa condição diminui as pessoas no processo de organização social. Sônia acredita que somente através do conhecimento canais de diálogos podem ser estabelecidos.  “Não tenho a  utopia de combater o racismo, mas precisamos diminuir as desigualdades. Ninguém nasce racista. A formação do individuo é que faz com que ele se torne racista”, finalizou Sônia Oliveira.