Jornada reúne profissionais para uma abordagem transdisciplinar sobre saúde mental e transcendência em Aracaju

31/01/2018 -21H42


               Na sexta-feira, 26, profissionais de diversas áreas realizaram  dois ciclos de palestras numa Jornada sobre saúde mental e transcendência. O evento, promovido pela Associação Sergipana de Psiquiatria em parceria com o Instituto de Educação e Saúde Integral – Athenas, aconteceu no auditório da Clínica Intergrada Homo, em Aracaju(SE).

                A abertura dos trabalhos contou um momento artístico em que a estudante de Psicologia e violinista, Stefânia Crestana, fez um dueto com o violonista Geovan Rezende para a execução de um repertório com peças clássicas e canções da Música Popular Brasileira.

               A palestra inicial dos trabalhos da manhã foi ministrada pela médica psiquiatra e presidente da Associação Sergipana de Psiquiatria, Dra. Norma Alves de Oliveira. Com o titulo “Saúde Mental e Transcendência”, a médica trouxe um novo olhar da psiquiatria e falou acerca da saúde mental , sob a perspectiva da abordagem integrativa.

               O juiz de direito,  Manoel Costa Neto, fez um convite para  “Diálogo com os medos”. Numa abordagem pragmática e instigante, o magistrado demonstrou a conexão que existe entre os maiores temores dos seres humanos com possibilidades de autoconhecimento e superação. 

               Na sequência das atividades, a psicóloga Grecy Batista Amaral (CRP19/2052) apresentou a política Nacional de Prática Integrativas e Complementares liberadas pelo SUS, através da Portaria nº 849, que inclui, dentre outras possibilidades de tratamento,  arterapia,  yoga,  meditação,  reiki e  terapia comunitária integrativa.

               O ciclo dos trabalhos da manhã foi encerrado pela psicóloga Licínia Santos Ferreira (CRP19/0483) que proferiu a palestra “A visualização criativa como técnica capaz de tornar consciente o arquétipo sombra”. A psicóloga apresentou alguns conceitos da Psicologia analítica de Jung e demonstrou técnicas de visualização utilizadas na abordagem da psicologia transpessoal.

               Para os trabalhos realizados no turno da tarde, os participantes foram recebidos ao som de voz e violão numa parceria entre o cantor Francisco Oliveira e o violonista Geovan Rezende. A dupla abrilhantou o evento com um repertório de canções da música popular brasileira.

               A primeira palestra do segundo ciclo foi ministrada pela psicóloga Susana Margareth Andery (CRP19/0500) que fez um paralelo entre a vivência da espiritualidade com a temática da saúde mental. Um dos motivos para que a cor Branca fosse escolhida para dar nome à Campanha de Prevenção, reside no fato de que o indivíduo, para ter saúde mental, necessita vivenciar de maneira equilibrada todos os âmbitos de sua vida atendendo ao princípio paradigma da totalidade. A espiritualidade, deste modo, admitida numa perspectiva laica em que há o respeito à liberdade de escolha e à diversidade, representa um, dentre tantos outros aspectos, da multifacetada natureza humana.

               O binômio Arte-Transcendência, assim sendo, não poderia ficar de fora da Jornada. A mestra em Psicologia Social, Emília Silva Poderoso (CRP19/2178) presenteou os participantes com a palestra “Nise da Silveira e a saúde mental: entre a arte e a terapia”, demonstrando como psiquiatra alagoana revolucionou os métodos de tratamento em saúde mental no Brasil.

               Dando prosseguimento aos trabalhos, a médica oftalmologista e especialista em Psicologia transpessoal, Dra. Ana Carla Bittencourt Dantas Terra, trouxe “Um novo olhar para o processo do morrer e falou sobre prevenção em saúde mental e a ressignificação da vida através da psicologia transpessoal”.

               A Jornada foi encerrada com a palestra do medico Carlos Alberto Melo Santiago, que finalizou os trabalhos fazendo um convite ao público para refletir sobre saúde mental traçando um paralelo com a temática “Vida, morte e transcendência”.

               Para Norma Alves de Oliveira, presidente da Associação Sergipana de Psiquiatria, a transdisciplinaridade do evento permitiu trafegar por vários temas através do olhar de diferentes profissionais. “Durante a Jornada foi possível adquirir conhecimentos que proporcionaram uma visão integral dos cuidados em saúde mental. Pela manhã, pudemos refletir sobre os nossos medos e de que modo a visualização criativa pode contribuir para acessarmos nossa sombra psicológica. No turno da tarde, percebemos uma articulação entre a psicologia do sagrado com as magníficas contribuições da Arte de Nise da Silveira. O paralelo entre os cuidados em saúde mental com o enfoque transpessoal do processo do viver e do morrer, emocionou a todos e deixou o público com o desejo que outros eventos semelhantes possam acontecer em nossa cidade”, relatou.

               Para o psicólogo Pedro Alves, coordenador da campanha Janeiro Branco junto ao Conselho Regional de Psicologia de Sergipe, a parceria entre a Associação Sergipana de Psiquiatria e o CRP nas Campanhas de Prevenção no Estado, tem fortalecido uma relação extremamente importante para os profissionais de saúde mental e a população de modo geral. “Ao pensarmos em prevenção e cuidados em saúde mental precisamos enfatizar a importância da interdisciplinaridade. Os profissionais espalhados nos diversos equipamentos públicos, empresas e demais instituições do Estado foram os grandes protagonistas da Campanha e puderam contar com o apoio institucional do Conselho de Psicologia para a realização de eventos em seus próprios municípios e locais de trabalho. Psicólogos, psiquiatras e colegas de diversas categorias profissionais realizaram trabalhos muito importantes para levar a causa da saúde mental a locais nunca antes imaginados. Realizamos palestras, rodas de conversa, ocupamos a mídia e temos trabalhado bastante para quebrar os paradigmas que apresentam o indivíduo de modo fragmentado e dicotomizam os cuidados em saúde mental. Quando um paciente ou usuário procura os nossos serviços ele precisa ser acolhido, atendido e/ou encaminhado para receber os cuidados em relação a todas as suas necessidades, sejam elas de orientação médica, psicológica ou psicossocial. Neste sentido, o trabalho conjunto entre a ASP e o CRP tem aproximado os profissionais e contribuído para o fortalecimento dos serviços oferecidos à sociedade”, ressaltou.