O problema é a Gaiola: a falta de projetualidade e a correlação com fatores de risco em saúde mental e emocional.

31/01/2018 -21H26


               Profissionais e residentes em tratamento no Centro Terapêutico Recomeçar, participaram no domingo, 28, em Aracaju(SE), de uma Roda de Conversa com o tema “O problema é a Gaiola”. O trabalho teve como facilitadores a médica Juliana Leal Freitas Maia (CRM 3976), mestre em Psiquiatria Social e Cultural pela Universidade de Coimbra-Portugal, e o psicólogo Wagner Mendonça de Morais, especialista em atenção integral ao consumo e consumidores de drogas pelo CETAD/UFBA.

               Os profissionais fizeram uma explanação inicial sobre o conceito de dependência química baseados em estudos atuais da Organização Mundial de Saúde e, em seguida, abriram espaço para  um diálogo entre os participantes que  puderam se expressar livremente, compartilhar suas próprias histórias, anseios e dificuldades durante o tratamento para o enfretamento da dependência química.

               No momento seguinte, iniciou-se um debate sobre o experimento “Rat Park” (Parque dos Ratos) do psicólogo canadense Bruce Alexander. As discussões estimularam os participantes a identificar uma possível relação entre o uso problemático de substâncias psicoativas com sofrimentos psíquicos subjacentes que demandam reconhecimento, atenção e tratamento.

               As ponderações finais do bate-papo permitiram concluir que a gaiola problematizada no título do trabalho representa, quase sempre, o estreitamento de repertório e a falta de projetualidade dos sujeitos em relação à própria vida. Sair do estado de inércia e abandonar a gaiola para definir estratégias de cuidados com a própria saúde mental e emocional representariam, deste modo, expressões de coragem, responsabilidade e comprometimento com a recuperação.

               Para Priscilla Guissoni de Faria (CRP19/IS 046), psicóloga da Unidade, o encontro foi bastante proveitoso e possibilitou aos participantes pensar em saúde de modo mais abrangente.  “A metodologia utilizada neste encontrou nos permitiu conversar sobre o conceito de patologia de forma mais ampla, esclarecendo que, na maioria dos casos de pessoas que fazem uso abusivo e nocivo de substâncias psicoativas, existem outros sofrimentos associados que não são tão visíveis num primeiro momento. É muito importante enfatizar que, para além dos rótulos, cabe pensar em saúde numa perspectiva que transponha o binômio doença/diagnóstico e reconheça a saúde como condição elementar”, relatou.