Normas de atuação dos psicólogos com relação ao preconceito e discriminação raciais em debate na terceira edição do SEMPRI

13/11/2017 -12H49


               Com o tema “15 anos da 018/ 2002- atuação da Psicologia frente ao preconceito e discriminação racial: avanços e novas proposições”, o Conselho Regional de Psicologia da 19ª Região, por meio do GT Psicologia e Relações Interétnicas, da Comissão de Direito Humanos  do CRP19, realizou nos dias 9,10 e 11 de novembro, na Universidade Federal de Sergipe, em São Cristóvão (SE), o III SEMPRI – Seminário de Psicologia e Relações Interétnicas.

               “Um dos pontos é trazer para o profissional da Psicologia a lógica do porquê precisamos pensar sobre o racismo. O racismo faz sofrer, gera adoecimento, humilhação social, retira direitos, priva o cidadão e a  cidadã de características que lhes  são próprias”, ressaltou a conselheira Eleonora Vacarezza, idealizadora do SEMPRI e coordenadora do GT Psicologia e Relações Interétnicas.

               “Esse evento reúne o profissional psicólogo/psicóloga, estudantes de psicologia e representantes de movimentos sociais em uma temática pertinente à atuação da nossa categoria que muitas vezes passa despercebida. Além disso, traz dados quantitativos para mostrar o quanto é oportuna essa discussão, essa troca de experiência e conhecimento. O SEMPRI é uma ferramenta potente para construir caminhos de resistência”, disse a conselheira Jayane Pinheiro Trindade, presidente da Comissão de Direitos Humanos do CRP19, ao apresentar dados do Atlas da violência que revelou Sergipe como  o Estado com maior índice de homicídios no Brasil. “De cada 100 pessoas mortas, 71 são jovens negros.  Esse dado traduz  o quanto essa luta é significativa e  necessária,  não só para nossa classe profissional, mas para toda da sociedade”, enfatizou.

               A abertura, que aconteceu no auditório da Biblioteca Central (Bicen/UFS),  começou com a exibição do curta metragem dirigido por Everlane Moraes Santos,  “La Santa Cena”. Produzido em 2017, o filme reproduz, em 13 minutos, o cotidiano de uma família afro cubana santera, evocando a relação entre o carnal e o espiritual no sacrifício do seu último galo para comer. Em seguida, houve o lançamento do e-book, “Psicologia e Relações Interétnicas (em debate) – Diálogos Interdisciplinares”, fruto das discussões suscitadas pela primeira e segunda edições do Seminário Psicologia e Relações Interétnicas. O material foi compilado por Eleonora Vaccareza Santos e Patrícia da Silva.

               A conferência de abertura, trouxe o tema "A Clínica do Racismo", com a Maria de Jesus Moura,  Psicóloga, professora, pesquisadora  e coordenadora da Comissão de Direitos Humanos e Colaboradora do GT - Grupo de Trabalho de Enfrentamento ao Racismo do CRP 02, Membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

               “As pessoas pensam que é preciso algo especial para instituir uma clínica para fazer escuta e receber as demandas do sofrimento psíquico de quem sofre de racismo. Não existe nada específico. Existe, sim, a sensibilidade, a compreensão do que o racismo e os efeitos dele na vida das pessoas negras. A Psicologia têm teorias e técnicas que podem ajudar essas pessoas a superarem esse sofrimento e ter uma melhor qualidade de vida, melhorando assim as relações inter-raciais”, explicou Jesus Moura.

               Na sexta-feira (11), duas palestras programadas para acontecer pela manhã,  foram suspensas por conta do fechamento dos acessos da UFS, em decorrência  das paralisações promovidas pelos movimentos sindicais. Os debates foram transferidos para Faculdade Maurício de Nassau,, que, gentilmente, acolheu a terceira edição do SEMPRI.

               As atividades foram retomados à tarde com quatro minicursos simultâneos:  “saberes sociais - plantas medicinais”, “cuidados para cabelos crespos e cacheados”, “ancestralidade e corporeidade”, “sociodrama do racismo”. No auditório da instituição de Ensino Superior, em debate na mesa 3, “Racismo na infância”, com as palestrantes Maria Batista Lima, Doutora em Educação e Professora Adjunta da Universidade Federal de Sergipe e Kelyane Oliveira de Sousa, Mestre em Psicologia Social e membro do grupo de pesquisa “Socialização das Atitudes Intergrupais”(UFS). A mesa 4, “Racismo institucional”, que encerrou o segundo dia de discussões, foi abordado por Marcus Eugênio Oliveira Lima, Doutor em Psicologia Social  e  Valdenice Portela, Mestre em Psicologia Social. 

               A Universidade Federal de Sergipe, voltou a receber as atividades do III SEMPRI, na manhã de  sábado (12).  A mesa 5 trouxe o enfoque  dos "Movimentos sociais e o enfrentamento ao racismo" e contou com Ana Ires Lima, Pedagoga e Coordenadora Estadual do Movimento Negro Unificado - MNU; Sônia Malaquias, do Movimento de Mulheres Camponesas; Maria Elisângela dos Santos, presidente da Associação de Mulheres e Adolescentes Negras de Sergipe e Tatiana Menezes, representante da Unegro, como mediadora.

               Com a abordagem da  "Interseccionalidade - Gênero, Raça e Diversidade Sexual", a mesa 1 remanejada do dia anterior,  teve como palestrantes Gioconda de Sousa Silva Lima, coordenadora da Comissão de Enfrentamento ao Racismo do Conselho Regional de Psicologia (CRP-02), Jorge Antônio Rodrigues Barbosa, presidente Instituto Sergipano de Qualidade de Vida e Joseane Bispo, membro GT-Relações Interétnicas CRP-19, na condição de mediadora.

               Encerrando a edição 2017 do Seminário de Psicologia e Relações Interétnicas, os palestrantes Djean Ribeiro Gomes, mestrando em Psicologia Social e membro Conselheiro do Conselho Regional de Psicologia da Bahia (CRP-03), Tainã Santana Vieira, pós graduanda em Psicopedagogia Institucional, e co-fundadora da Rede Dandaras e Laura Augusta Barbosa de Almeida, membro do GT Psicologia e Relações Raciais do CRP -03, co-idealizadora da Rede Dandaras falaram sobre a "Influência dos movimentos sociais na Psicologia".

               Mais de 350 pessoas se inscreveram para participar da III edição do SEMPRI - Seminário de Psicologia e Relações Interétnicas. Todos os debates e minicursos foram ofertados gratuitamente.

               “O Seminário de Relações Interétnicas se tornou um legado do CRP19 para categoria, em Sergipe e no Brasil.  É um trabalho de qualidade elevadíssima que ao longo da trajetória de três edições trouxe  grandes nomes para debater questões, extremamente, pertinentes que embasam a atuação da categoria de psicólogas e psicólogos em nosso país. As informações geradas no SEMPRI, nos permite atuar de maneira contundente e com qualidade diante do enfrentamento do racismo,  do acolhimento dessas vítimas e todos os problemas que surgem em decorrência desse fenômeno”, concluiu Alan Santana Santos, conselheiro presidente  do CRP19.