CRP19 realiza Encontro de Formação na Pio Décimo

18/04/2017 -18H29


             Com o objetivo de possibilitar aos estudantes de Psicologia, contato com a temática inter-racial, a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 19ᵃ Região, por meio do Grupo de Trabalho Psicologia e Relações Interétnicas realizou, nesta terça-feira, 18 de abril, na Faculdade Pio Décimo, a primeira edição do “Encontro de Formação”.

             De acordo com a Conselheira Eleonora Vaccareza (CRP19/2276), não há oferta nas grades curriculares dos cursos de Psicologia, disciplinas que abordem o tema do racismo, do preconceito e da discriminação racial. “Tive acesso a temática por curiosidade própria e isso colaborou para que investisse em uma maior formação na área, logo que há poucos psicólogos estudando o tema. Mas isso não quer dizer que o fenômeno reduziu ou perdeu a sua força.  O racismo existe ele é estrutural, ou seja, está presente em todas as esferas da sociedade, seja nas relações interpessoais quanto na instituições,  por isso precisamos falar sobre ele para assim refletirmos sobre quais consequências trás  para a subjetividade de brancos e não - brancos",  explicou.

             A questão indígena foi a temática da palestra da professora Luciana Galante que taxou como urgente, e necessária, a discussão. “O Estado brasileiro tem sido muito negligente com os povos originários, uma vez que se optou por atender setores econômicos que vislumbram a possibilidade de explorar recursos naturais e/ou ocupar os territórios tradicionais lançando mão dos discursos de "produtividade". Apesar dos direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988, as populações indígenas estão muito vulneráveis diante da ofensiva neoliberal que se instalou no país recentemente.  A violência tende a se agravar ainda mais se a sociedade não fizer um amplo debate sobre a importância da diversidade cultural para o país e cobrar uma resposta uma resposta do governo”, disse.

             Para a professora Letícia Tunala, que acolheu o projeto na instituição,  apesar das leis complementares às diretrizes nacionais para as graduações, ainda existe uma  série de situações de vulnerabilidades não discutidas pela comunidade acadêmica. “Há uma demanda a ser suprida em relação ao debate do tema durante a formação acadêmica do estudante de Psicologia.  De fato precisamos ampliar e aprofundar sobre a discussão proposta pelo GT de Relações Interétnicas.  A consciência dos alunos sobre o debate, pode ofertar aos profissionais do futuro uma outra visão sobre as intervenções que conduzirão, no sentido de um mundo mais justo e equilibrado”, concluiu.