GT Psicologia e Relações Interétnicas participa de reunião deliberativa para instalação Comissão da Verdade sobre a escravidão negra da OAB/SE

27/03/2017 -16H27


               O Conselho Regional de Psicologia da 19ᵃ região, representado pelo Grupo de Trabalho de Psicologia e Relações Interétnicas, participou da 1ª reunião para a instalação da Comissão da Verdade sobre a escravidão negra da OAB/SE. O evento,  que reuniu movimentos sociais,  entidades públicas e sociedade civil aconteceu  dia 21 de março, Dia Internacional contra a Discriminação Racial,  na sede da Ordem, em Aracaju.

               O presidente da ordem em Sergipe, Henriclay Andrade que coordenou a mesa composta pelo o presidente da Comissão, Kleber Nascimento, Secretário de Justiça Cristiano Barreto,  professora e historiadora Maria Nely dos Santo,  Defensor público Paulo Victor Melo,  representante do coletivo João Mulungu, Pedro Neto e o vereador Antônio  Bittencourt, ressaltou que a Comissão é um marco histórico para a instituição. “Essa é uma gestão comprometida com o combate a qualquer tipo de discriminação que acontece no Brasil, às vezes velada e muitas vezes escandalizadas”.

               Com o objetivo de fazer um resgate histórico do período escravocrata sergipano, a Comissão pretende elaborar e propor políticas públicas em reparação à população negra e será presidida pela conselheira seccional da Ordem, Joyce Angeli e pelo conselheiro federal da OAB/SE, Kleber Nascimento. “A OAB nacional considera como extremo, o crime da escravidão, que lesa a sociedade. “Existem 14 estados com comissão formada e funcionando. Foi criado a comissão em Sergipe para que tenha características do nosso estado, com pretensão de finalizar com relatório para que se torne nacional.”
A professora universitária aposentada, Maria Nely  Santos, falou sobre sua trajetória:  uma mulher negra, filha de empregada doméstica à qual os patrões, na sua infância, ofereceram oportunidade. “ A sociedade deve estar unida no sentido de enxergar o negro na sociedade. Costumes e comportamentos de negros não votarem em negros, mulheres não votarem em mulheres, é preciso fazer uma revolução para mudar isso” pontuou.

               A plenária decidiu, democraticamente, o cronograma, temática e aprofundamentos.  Foram definidos o prazo de 15 dias para indicação por parte da instituições de representante para compor da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB/SE, formalização dos grupos de trabalhos e para que as instituições ausentes comuniquem a intenção participar.
Para a psicóloga Joseane Bispo, representante do CRP19 "é de suma importância a participação tanto do CRP19 quanto do Grupo de Trabalho de Relações Interétnicas nesses eventos. Visto que, o encontro dessas instituições, ajuda a fortalecer a luta pela igualdade étnico-racial".