Roda de conversa trata dos desafios da mulher na era moderna

13/03/2017 -22H38





               A psicóloga Lidiane de Melo Drapala, (CR19/ 1664), assessora técnica do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP) do Conselho Regional de Psicologia da 19ᵃ Região, foi uma das convidadas para discutir, numa roda de conversa, a “Mulher na contemporaneidade: saúde mental e expectativas sociais”. O tema esteve em debate na sexta-feira, 10 de março, no Centro Médico Garcia, em Aracaju (SE).

               “Entendendo a importância e urgência em potencializar as discussões e consequentes ações em prol da garantia dos direitos das mulheres. Vimos mais uma grande oportunidade em fazermos rede, em ampliarmos as estratégias de cuidado. Foi com imensa satisfação que aceitamos o convite e, inclusive, institucionalizamos como uma das atividades relativas ao que chamamos de mês das mulheres. Já conhecemos o oito de março enquanto marco histórico na luta pelos direitos igualitários, pelo acesso aos serviços, pela estruturação de novas formas de enfrentamento às violências e violações que as mulheres sofrem em nossa sociedade. O Sistema Conselhos de Psicologia, através do CRP19, é ativistas dos Direitos Humanos - direitos civis que parecem básicos, porém, que não são efetivados em sua mais alta potência”, falou Drapala.  

               Em sua fala, Drapala apresentou um breve histórico biográfico da escritora inglesa "Virgínia Woolf" (1882-1941), referência na literatura inglesa, mundial e em pautas que cuidam do ser mulher. “A acometida, segundo muitos estudos relatam, de Transtorno Bipolar de Humor e, aos 59 anos de idade veio a cometer suicídio quando não mais suporta a dor de existir, inclusive, num mundo que lhe cobrava uma feminilidade dócil, domesticada e, segundo suas próprias expressões, ‘mentirosa’”, contou.

               A psicóloga sugeriu ainda o texto "Profissões para Mulheres", no qual Virgínia Woolf questiona a existência do "Anjo do Lar" (em referência a um poema de outro autor inglês, Coventry Patmore; 1823-1896). E, a grande estratégia para conseguir existir enquanto pessoa, apontava a necessária expressão das paixões pelas mulheres, algo até então apenas aceito nos homens.  Além da Virgínia, também fora apresentada, brevemente, a autora Simone de Beauvoir e sua obra o "segundo Sexo". “A escolha por essas autoras foi por se tratarem de grandes referências na produção do conhecimento e da literatura e por suas forças de personalidades”, informou.

               Sob a coordenação da psicóloga Luciana Luiza Mendonça de Oliveira (CRP19/ 0363), o debate trouxe ainda a psicóloga e psicodramatista, Camilla Lima de Araújo (CRP19/2622), que fez um traçado sobre o que é ser mulher e de como essa construção social é uma formatação de alteridade. “Essa formatação do que é ser mulher tem nos orientado desde o nosso nascimento, numa lógica que nos conduz, muitas vezes, à dor. Mulheres que não se enquadram nessa formatação, nesses papéis de ser mãe, de casar, ter filhos e ser sensível são conduzidas ao sofrimento. Não há nenhum destino biológico, nem psicológico, que defina a mulher como tal. É imposto, socialmente, como se nós não tivéssemos escolhas”, disse Camilla.

               A Roda de conversa apresentou também o curta-metragem em 3D, “ Vida Maria”, lançado no ano de 2006, produzido pelo animador gráfico Márcio Ramos. O filme conta a história de uma mulher que deixou de lado os estudos e se dedicou à casa, ao marido e aos filhos, que vive em estado de autoanulação, sem sonhos, sem vontade.  Mostra o quanto é difícil ser protagonista da própria vida.  “Discutimos um pouco o lugar dessas mulheres, o que são, as heranças culturais que muitas vezes sofremos e de que forma nós pertencemos a este mundo”, explicou Camilla.

               Outros tópicos da conversa giraram em torno dos tipos de violência as quais as mulheres são submetidas (física e psicológica) e do mito do amor romântico, o conceito de amor ideal e o amor materno. “Essa é uma criação perseguida por muitos e nós nos frustramos quando não alcançamos.  Esses mitos, por vezes, produzem sofrimento e adoecimento”, declarou a psicodramatista.  
“Dialogar com a psicóloga Camilla e abrir as oportunidades de expressão ao público presente foi muito rico e oportuno”, finalizou Drapala.