CRP19 pede o fechamento do Hospital de Custódia

02/09/2016 -17H16







                 Em Sergipe, o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico apresenta precárias condições, estruturais e de atendimento, aos 70 internos. Apenas duas psicólogas acompanham os detentos nas atividades das oficinas de higiene e arte terapia, além de outros projetos que são desenvolvidos. Mas a falta de estrutura compromete o tratamento. Segundo a diretoria do HCTP, a Secretaria de Estado da Justiça pretende reformar a unidade, mas ainda não há data prevista para o início das obras.

                 Em 2015, o Conselho Regional de Psicologia-CRP19, coordenou o trabalho de inspeção ao HCTP. A vistoria foi acompanhada por representantes dos Conselhos Regionais de Serviço Social, Enfermagem e Medicina, do Ministério Público Estadual, Defensoria Pública do Estado, Coordenação de Atenção Psicossocial da Secretaria Estadual de Saúde e da coordenação local do Movimento Nacional de Direitos Humanos.

                 "No ato da inspeção dos manicômios, percebemos claramente que a maioria vivencia a experiência de internação no hospital de custódia, justamente, por não fazer o tratamento. Pela falha dessa própria rede, ainda muito deficitária", disse Alan Santana, Conselheiro do CRP-19, em entrevista ao Programa Balanço Geral Sergipe, da TV Atalaia/Record.

                 Um ano depois da elaboração do relatório, nada mudou. Diversas irregularidades apontadas no documento ainda comprometem o tratamento dos internos. " O louco, a pessoa que cometeu um crime, sofre um peso duplo. É considerado um criminoso ao mesmo tempo em que sofre com o estigma da pessoa que tem transtorno mental", falou.

                 Ainda de acordo com o Conselheiro, a ampliação da cobertura da rede de atenção psicossocial geraria profundas mudanças nesse cenário. Citou o exemplo do estado de Goiás, que investiu no Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), e hoje atende 243 pessoas que cumprem medida de segurança, em 77 municípios goianos. "O problema de Sergipe é que, no interior do estado, muitos lugares não têm essa rede estruturada. Não há CAPS em todos os municípios. Mas se faz urgente, tanto para o tratamento quanto para própria prevenção".

                 A humanização é uma das diretrizes da Lei de Reforma Psiquiátrica, no que tange a medida de segurança. "Para além de pensar a estrutura desse hospital, hoje, temos projeto inovadores no Brasil. Uma prova de que é possível não depender mais dessa estrutura que prejudica muitos mais a pessoa do que beneficia o tratamento de saúde. Não há paliativo para os problemas estruturais do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Sergipe. A medida seria fechar o HCTP e investir no programa de ressocialização junto à rede de atenção psicossocial", concluiu.