Psicólogos debatem sobre o impacto do racismo na sociedade

17/05/2016 - 17H30









         O Conselho de Psicologia de Sergipe, através Grupo de Trabalho Psicologia e Relações Interétnicas, da Comissão de Direitos Humanos, realizou na quinta-feira (12), a Roda de Conversa alusiva ao dia 13 de Maio. O evento que reuniu profissionais de Psicologia, professores e acadêmicos, aconteceu na Faculdade Pio X, em Aracaju (SE). A socialização racial e afeição em famílias negras brasileiras foi o tema da palestra proferida pela Dra. Elizabeth Hordge-Freeman, professora assistente de sociologia do Instituto para o Estudo da América Latina e Caribe da Universidade do Sul da Flórida (USF). Motivado por sua paixão por expor a desigualdade, e com o financiamento de uma bolsa Fulbright e de outras fontes, ela pesquisa a escravidão moderna e tráfico de pessoas no Brasil e os EUA. "A discussão sobre o impacto do racismo na sociedade é um tema de extrema relevância para a Psicologia. O racismo é capaz de moldar relações afetivas e impactar a autoestima e a saúde mental das pessoas influenciando as oportunidades e escolhas que a pessoa pode ter ao longo da vida", disse Hordge-Freeman. A pesquisadora apresentou ainda o resultado de pesquisa, revelada em seu primeiro livro, The Color of Love: Racial Features, Stigma, and Socialization in Black Brazilian Families (A cor do amor: a socialização racial e afeição em famílias negras brasileiras), lançado em 2015. Hordge-Freeman tem uma agenda de pesquisa que enfatiza hierarquias raciais , de gênero , estigma e desigualdade nas famílias.

         A investigação ajudou aos alunos e professores a refletir sobre as relações afetivas, sofrimentos e estratégias de resistência vivenciadas pelas famílias e que muitas vezes se apresentam na comunidade como falta de interesse, falta de mobilização, falta de cuidado com a própria saúde. Para a coordenadora do GT Psicologia e Relações Interétnicas, Eleonora Vaccareza, "a necessidade de apresentar ao público uma pesquisa realizada com famílias brasileiras sobre socialização e afeição parental, está no fato de que, para muitas delas , assim como para a maioria dos brasileiros, não se questiona a influência que uma ideologia racial pode ter no modo como vão socializar suas crianças, ou seja, prepara - lás para viver em sociedade, e distribuir esta afetividade. Tudo isso, pode nos abrir um caminho para a busca de alternativas de superação deste problema que é social, mas que ao mesmo tempo, afeta o indivíduo".

         "O estigma racial e o racismo podem também influenciar a qualidade do tratamento e atendimento se o próprio profissional de saúde mental tiver preconceito racial. Para atender a população é preciso entender as formas variadas e complexas que o racismo ameaça o bem-estar da população negra", complementou Hordge-Freeman .

         Elizabeth Hordge -Freeman

         Dr. Hordge-Freeman entrou para o departamento de Sociologia com uma nomeação comum no Instituto para o Estudo da América Latina e Caribe em agosto de 2012. Sua pesquisa principal se concentra em como as hierarquias raciais e de gênero são formadas e as hierarquias de gênero em famílias negras no Brasil e em toda diáspora africana. Suas outras áreas de interesse incluem psicologia social, colorismo, gênero, teoria, diáspora e as emoções.

         Seu primeiro livro, The Color of Love: Racial Features, Stigma, and Socialization in Black Brazilian Families, foi lançado em em outubro de 2015, com a University of Texas Press. Seu trabalho foi publicado no Journal of Marriage and Family, Estudos Étnicos e Raciais, e outros estabelecimentos acadêmicos. Seu mais novo projeto de livro de "Second class Daughters: informal adoption as neo-slavery in Brazil" aborda a escravidão moderna e foi financiado por uma bolsa Fulbright US Scholar, Ruth Fundo de Investigação Memorial Landes, e os Fundos Associação Americana de Sociologia para o Avanço da Disciplina .

         Dra. Hordge-Freeman também é Diretora do USF no Brasil Programa e organizou a aula inaugural do Programa USF em Salvador, Bahia no verão de 2013. E em 2014 formou um segundo grupo de estudantes para o Brasil. Nesse mesmo ano foi premiada com dois prêmios de nível universitário para o ensino de excelência.